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DIA DA ALFABETIZAÇÃO

Dia Internacional da Alfabetização coloca educação em debate na Bahia

Data reforça a importância da discussão e mobiliza diferentes setores do ensino

Loren Beatriz Sousa
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Dia Internacional da Alfabetização coloca educação em debate na Bahia
Dia Internacional da Alfabetização coloca educação em debate na Bahia - Foto: Douglas Amaral

Aprender a ler e escrever é uma conquista individual, mas garantir que uma criança tenha esse direito no tempo adequado depende de uma rede que vai muito além da sala de aula. Escola, família, professores, gestores públicos e comunidade têm papéis diferentes em um processo que começa nos primeiros anos de vida e influencia toda a trajetória escolar.

Celebrado nesta terça-feira, 8, o Dia Internacional da Alfabetização foi proclamado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1966 e passou a ser celebrado anualmente a partir de 1967. A organização reconhece a alfabetização como um direito humano fundamental e relaciona o domínio da leitura e da escrita à autonomia, à participação social e ao acesso a outros direitos.

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Na Bahia, a mobilização pela alfabetização ganhou novas frentes nos últimos anos. Dados do Indicador Criança Alfabetizada, do Ministério da Educação (MEC), mostram que o percentual de crianças alfabetizadas no estado passou de 36%, em 2024, para 55%, em 2025. O avanço de 19 pontos percentuais fez a Bahia superar a meta de 50% estabelecida para o período.

O resultado acompanha ações conjuntas entre o governo estadual e as prefeituras (responsáveis pela alfabetização e anos iniciais do ensino fundamental) para ampliar o número de crianças alfabetizadas até o final do 2º ano do ensino fundamental.

Uma das estratégias adotadas no estado é o Programa Bahia Alfabetizada, instituído pela Lei Estadual nº 25.668/2025. Sancionada em agosto de 2025, a política estabelece ações de cooperação técnica, pedagógica e financeira entre o Estado e os municípios, com foco na alfabetização de crianças e também em ações voltadas a jovens, adultos e idosos.

Entre as medidas previstas estão a formação de profissionais das redes municipais, a disponibilização de materiais didáticos, o suporte às secretarias de Educação e o acompanhamento dos resultados de aprendizagem. A legislação prevê ainda ações de recomposição das aprendizagens nos anos seguintes à alfabetização inicial.

As ações de alfabetização envolvem também diferentes instituições. Embora a oferta do ensino fundamental seja prioritariamente responsabilidade dos municípios, o trabalho inclui a atuação conjunta entre os governos e os outros setores da sociedade.

Neste cenário, em agosto de 2025, a Secretaria da Educação do Estado (SEC) iniciou a distribuição de mais de 350 mil livros destinados ao reforço da alfabetização, em um investimento anunciado de aproximadamente R$ 6 milhões.

A atuação conjunta também ocorre por meio do chamado Regime de Colaboração. Segundo dados da SEC, entre 2023 e 2026 foram firmados 409 convênios com 209 municípios baianos. Os acordos abrangem diferentes áreas da infraestrutura educacional, incluindo construção de creches, aquisição de equipamentos e mobiliários e cessão de terrenos e imóveis.

"O Regime de Colaboração nos permite chegar à ponta, garantindo que nossas crianças tenham as condições ideais para aprender a ler e a escrever. A alfabetização é a porta de entrada para a cidadania plena e para histórias de superação. Nosso papel é garantir que essas oportunidades cheguem a todos os baianos", afirmou o secretário da Educação da Bahia, Marcius Gomes.

331 municípios recebem selo de alfabetização

O trabalho das redes municipais também pode ser observado a partir do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, iniciativa do MEC vinculada ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). Na edição de 2025, divulgada em fevereiro de 2026, 331 municípios baianos foram certificados. Desse total, 45 receberam o Selo Ouro, 178 ficaram com o Prata e 108 conquistaram o Bronze.

A certificação considera ações desenvolvidas pelas redes de ensino em áreas como gestão, formação de professores, acompanhamento da aprendizagem e implementação de estratégias voltadas à alfabetização das crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental.

Em setembro de 2026, foi aberto o prazo para a terceira edição do Selo. Secretarias estaduais, distrital e municipais de Educação que formalizaram a adesão ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada podem inscrever suas iniciativas até 30 de outubro, por meio do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec).

Alfabetização como compromisso permanente

Os avanços registrados pela Bahia indicam uma mudança importante nos indicadores de alfabetização, mas os números também mostram a dimensão do desafio. O salto de 36% para 55% de crianças alfabetizadas em um ano representa uma evolução expressiva, mas ainda deixa uma parcela significativa dos estudantes fora do patamar esperado para a etapa escolar.

Por isso, o Dia Internacional da Alfabetização não se resume à celebração de resultados. A data também coloca em discussão o que ainda precisa ser feito para que o direito de aprender a ler e escrever seja garantido a todas as crianças, independentemente do município onde vivem ou das condições sociais em que estão inseridas.

A TARDE Educação amplia debate sobre alfabetização

A formação continuada dos profissionais da educação também faz parte desse processo. Uma das iniciativas desenvolvidas nessa área é o Programa A TARDE Educação, do Grupo A TARDE, que desenvolve, em parceria com a SEC, o projeto Páginas de Aprendizado.

A iniciativa utiliza o jornal e conteúdos jornalísticos como ferramentas pedagógicas para trabalhar a educomunicação com profissionais das redes públicas de ensino. O projeto foi lançado em fevereiro de 2026, durante encontro que reuniu gestores e secretários municipais de Educação em Salvador, dentro da agenda de discussão sobre alfabetização no estado.

Desde então, as formações chegaram a diferentes municípios. Em Barreiras, por exemplo, professores participaram de atividades sobre o uso pedagógico do jornal e práticas relacionadas à leitura e à escrita. Em Catu, profissionais dos anos iniciais, coordenadores pedagógicos e educadores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também participaram de uma etapa da iniciativa.

Segundo a coordenadora pedagógica Lucineide Nova Cabeceira, de Catu, investir na formação continuada dos educadores representa um ganho direto para a aprendizagem dos estudantes.

"Toda formação é muito importante para o educador, porque ele vai se reciclando, trazendo novas ideias para a sala de aula. Isso permite proporcionar novas experiências educacionais aos alunos, utilizando o jornal como um recurso próximo da realidade deles. Quando o município investe nessas parcerias, quem ganha é a aprendizagem dos estudantes", afirmou.

Já a coordenadora da EJA e articuladora do Programa Nacional Criança Alfabetizada no município, Lucidalva Álvaro dos Santos, destacou que a iniciativa dialoga com as ações de alfabetização desenvolvidas pela rede.

"Dentro do jornal encontramos diversos gêneros textuais que contribuem para a alfabetização e para o letramento. Nosso desejo é que as crianças estejam alfabetizadas e letradas até o final do segundo ano e que esse gosto pela leitura permaneça ao longo da vida", concluiu.

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