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LEVI VASCONCELOS

Surpresa nas urnas veio da disputa federal. Na Bahia, deu a lógica

Sargento Isidório surpreende com vitória após campanha independente

Levi Vasconcelos, com colaboração de Marcos Freitas
Por Levi Vasconcelos, com colaboração de Marcos Freitas
Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados - Foto: Kayo Magalhães | Câmara dos Deputados

Meio com cara de quem comeu e não gostou, ACM Neto justificou a derrota, dizendo que perdeu para “o baixo nível de Jerônimo”. Luciano Simões (UB), deputado estadual, amigo e aliado, fez uma análise mais ajustada:

– Fomos derrotados por Lula, pela força da máquina, dos prefeitos e do governo do estado.

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Ponderando que o toma lá dá cá é do jogo, tipo toma lá tua estrada, teu hospital ou tua escola, e dá cá meus votos, ele está certo. O que Neto tem para dar? Nada.

Na campanha, inventou uma nova versão para o tanto faz, dizendo que foi o melhor prefeito do Brasil governando contra Dilma, Temer e Bolsonaro, como se ele não precisasse fazer conexões federais para chegar no topo.

Pesquisas – Ora bolas, ACM, o velho, mandou na Bahia durante 40 anos, sempre com fortes conexões federais. No dia que perdeu isso, em 2006, com Lula presidente a primeira vez, perdeu o comando político cá.

No jogo de 2026, foi ACM Neto só contra Jerônimo montado na máquina estadual e com apoio de Lula, que na Bahia sempre teve forte expressão.

A lógica era Jerônimo vencer. Aliás, teria que ser muito ruim para perder, uma suposta ruindade que Neto tentou passar, mas não colou. Nas urnas de domingo, se surpresa houve, não foi cá. As pesquisas mostravam que Lula lideraria no 1º turno, e no 2º o jogo seria trincado.

As urnas mostraram a liderança de Flávio no 1º turno. Aí, sim, foi surpresa. A questão é saber por que assim foi.

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Feira de Santana, a 2ª maior da Bahia, saiu das urnas bem menor

Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia, saiu menor. Quebrou a larga tradição de sempre ter um filho da terra na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O deputado federal Zé Neto, após ter sido vereador e deputado estadual, perdeu quando tentava o terceiro mandato de federal. E o empresário Zé Chico (UB), candidato apoiado pelo prefeito Zé Ronaldo, também perdeu.

Para deputado estadual, menos mal. Angelo Almeida (PT) e José de Arimatéia (Republicanos) se reelegeram, e surgiram Silva Neto (Avante), João de Furão (Avante) e Thiago Gilleno (Avante).

Na disputa da Alba, as derrotas notáveis ficaram por conta do ex-prefeito Colbert Martins (PSDB) e Binho Galinha (Avante), que está preso, tentou se reeleger mesmo na cadeia, tinha esperança de aliviar o lado jurídico nas urnas, mas não deu.

Deputados na ressaca eleitoral

O primeiro dia após as eleições de 2026, ontem na Alba, teve deputado contado de dedo. Entre os poucos que foram lá, nenhum governista, todos da oposição.

Mas um deles, que preferiu manter-se anônimo, disse que os colegas estão desculpados pela ausência mais que justificada:

– Campanha é um sufoco em dose dupla, física e também financeira. Esse é o que mais custa a passar.

Sargento Isidório deixou Lula de lado e se deu bem

Em 2018, o então deputado estadual Sargento Isidório se candidatou a federal pelo Avante e surpreendeu a Bahia ao eleger-se com 323.264 votos. Ele, que é evangélico, em 2022, com a disputa polarizada entre Lula e Jair Bolsonaro, ficou do lado de Lula.

A votação desabou para 77.164. Este ano, Isidório fez a campanha dele sem se envolver na pendenga federal entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pipocou de votos de novo, o mais votado, com 248.147.

Com o seu jeito sempre brincalhão, ao ser abordado sobre o assunto, Isidório saiu pelo lado:

– Sabe o que foi isso? Foi Jesus!

Um aliado dele, ao ver isso, gargalhou:

– Jesus e a ajuda de uma malandragenzinha...

REGISTROS

Wagner, a emoção 1

Nas comemorações da vitória de Jerônimo no Palácio de Ondina, o senador Jaques Wagner, celebrando a reeleição, não conseguiu dar entrevista. Dizem alguns presentes que ele se esbaldou no uísque. Mas Jerônimo deu outra explicação: “Está emocionado com o que está acontecendo hoje”.

Wagner, a emoção 2

O perrengue com Wagner vem do escândalo com o Banco Master. E ele perdeu com isso. Em Ilhéus, por exemplo, a votação para o Senado deu Rui Costa, João Roma, Angelo Coronel e ele em quarto.

Laerte de Vando

A derrota do deputado estadual Laerte de Vando (Avante) bateu forte em Monte Santo. O pai dele, Edivan Ferreira de Almeida, o Vando, foi prefeito lá após ter sido deputado. Em 2020, foi derrotado na disputa da prefeitura para Silvânia Matos (PSB), que se reelegeu em 2024. Em 2018, Vando elegeu Laerte, que já era vereador, deputado. E o time de Silvânia vibra em ver ele agora perder.

Santinhos

Quem disse que a era do papel nas campanha eleitorais está acabando, errou. A tradição de distribuir santinhos na boca da urna proliferou de cabo a rabo em toda a Bahia. Nada indica que está acabando.

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coluna levi vasconcelos eleições 2026 Política

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